terça-feira, 22 de julho de 2008

Um entre dois espetáculos

Hoje eu cheguei em casa um pouco mais tarde. Peguei o Jornal Nacional no finalzinho. Vamos pular a parte da morte da Dercy e da dobradinha brasileira na Fórmula 1, que embora dêem o que falar, não estão na pauta de hoje.

O Jornal terminou com uma matéria sobre as Olimpíadas. Aliás, faltam só 16 dias para começar o grande espetáculo em rede mundial. E não venha me dizer que isso é kitsch. É, sim. E muito. “A fraternidade entre todos os homens não poderá nunca ter outra base senão o kitsch”. Mas não vivemos no mundo do comunismo totalitário pós-Primavera de Praga. Então, com licença, eu defendo e participo dessa festa.

E vai faltar tempo para acompanhar pela televisão ao maior número possível de competições. Vão sobrar escapadas via internet durante o expediente de trabalho. Vai haver comoção, torcida, e muita gente reclamando do espaço que a mídia dedica a algo tão, tão... Superficial? Fútil? Banal?

Esse pessoal já parou para estudar a importância do esporte na vida de uma criança que vê numa bola de vôlei ou num quimono de judô a materialização de sua dignidade? E não se trata somente do velho discurso sobre o poder de transformação social do esporte. Será que palavras como patriotismo e nacionalismo estão assim tão fora de moda?

Claro. A política continua um caos, em Brasília tudo vai mal e a corrupção corre solta enquanto ninguém faz nada. Pois é. É como se não acreditassem ser possível acompanhar as editorias de política e esporte ao mesmo tempo. Eu gostaria de saber se quem abomina todo esse espetáculo que acontece a cada quatro anos vai passar o mês de agosto todinho de olho nas campanhas políticas – outro espetáculo que acontece a cada quatro anos.

Me processem. Todo dia vou saber quantas medalhas o Brasil já conquistou. Nessa competição existe uma comissão julgadora severa, exames anti-doping e punição para quem não anda na linha.

“No momento em que é reconhecido como mentira, o kitsch entra para o contexto do não-kitsch. Perde seu poder autoritário e, mesmo comovente, torna-se igual a qualquer outra fraqueza humana. Nenhum de nós é sobre-humano a ponto de poder escapar completamente ao kitsch. Por maior que seja nosso desprezo por ele, o kitsch faz parte da condição humana.”
(Milan Kundera).

1 protesto(s):

Raquel disse...

Que no Brasil um escândalo abafa o outro, não é novidade. O mesmo ocorre com eventos. Copa do Mundo, Olimpíadas, PanAmericanos desviam a atenção para os demais acontecimentos.
Mas isso é saudável. Que atire a primeira pedra (ou disco) quem nunca quis se desligar da babilônia que virou o mundo - não só o Brasil?

É uma mentira descarada dizer que se está 24h ligado a acontecimentos ditos relevantes, alheios a alienações.

A mente precisa descansar. O esporte é também um convite à reflexão. Torçamos para que o Brasil dê certo em algum aspecto. nem que para isso seja necessário litros de suor.

E que venham as Olimpíadas \o/