Paz. É complicado? Porque tá difícil!
Estou cansada de ver tanta discussão por nada. Aonde essas pessoas estão querendo chegar? É tão complicado assim conviver com o diferente?
São pequenas (e não tão pequenas) guerras por toda parte. A politicagem, a greve na USP, o bate-boca sobre a queda do diploma de jornalismo, intolerância religiosa, corrupção, erros estúpidos de comunicação, violência gratuita, maníacos por mudar o mundo à força...
Tanta gente caçando briga, procurando confusão.
Quem disse que é necessário haver um consenso global para haver paz? Na televisão, na internet, nas ruas, na faculdade, vejo gente se digladiando porque não concordam em algum assunto. E precisa?
O diploma de jornalismo caiu. E o assunto já encheu o saco, vamos combinar. Tenho colegas que são à favor e outros que são contra. Debater argumentos é uma coisa, mas tentar convencer uns aos outros tem limite! Não? Todo mundo tem que concordar com você? Ainda que você acredite estar do lado certo, custa respeitar quem pensa diferente?
Na greve da USP tem grevista agindo com violência e reprimindo a liberdade de quem só quer o direito de ser contra a greve e poder assistir às aulas. Os que gritam pela liberdade de lutar são os mesmos que restringem a liberdade dos demais, ao ritmo do "se você não está conosco está contra nós". Vejo pessoas com receio de conversar e conviver com outras devido às suas diferentes posições políticas. E isso é em todo lugar.
Um professor não pode mais deixar transparecer ou falar sobre sua crença, se quiser se manter no emprego. Complicado. É como se a liberdade dos alunos terem suas religiões impedisse que o professor tenha a dele. Isso é medo? Medo de ser contaminado pelo que o outro acredita? Conhecer outras visões de mundo pode fazer alguém perder a própria convicção? Por que tanta gente não admite sequer trocar argumentos? Desrespeito é contagioso? Lembro de quando a expressão ecumenismo se tornou popular. O que fizeram com ela?
Há alguns meses almoçei sozinha num shopping e a praça de alimentação estava lotada. Dividi a mesa com
um casal de meia-idade. Perguntaram se eu não me importava se eles fizessem uma oração antes de almoçar. De forma alguma, sintam-se à vontade, eu respondi. Rezaram breve e discretamente. Já que estávamos na mesma mesa, batemos um papo. Eles eram evangélicos e estavam em Porto Alegre para um congresso da igreja deles. Vinham de Curitiba, e também conheciam Recife. Trocamos algumas ideias sobre as cidades, que eu também conheço. Foi super bacana. Não me tornei evangélica por causa disso. Assim como não me tornei umbandista quando visitei um terreiro para entrevistar uma mãe de santo.
As pessoas não precisam ser prisioneiras de suas visões de mundo. Dá pra sair, passear por aí, conhecer outros argumentos e não abandonar aquilo em que se acredita. É possível escutar, conhecer, aprender e ainda assim não concordar. E se quiser levar na bagagem alguma ideia nova, por quê não? Por mais que lhe sirva somente em algum aspecto e em tudo o mais seja descartável, o que custa? Talvez a paz chegue quando o medo não mais imperar. Eu acredito.
domingo, 21 de junho de 2009
Vamos sair pra ver o sol
Postado por Vanessa Reis às 23:20
Categorias: A órbita do tempo, Me processe
Assinar:
Postar comentários (Atom)


2 protesto(s):
gente
eu ia comentar.
mas fiquei vidrada na frase:
Pensei no tempo e era tempo demais
Penso exatamente como você em relação a essas coisas. A meu ver, as pessoas hoje estão muito menos preocupadas em acreditar e vivenciar propriamente as suas crenças do que em convencer os outros de que as suas crenças são as mais verdadeiras. Triste.
Postar um comentário