A vida é muito curta para ser vivida num constante estado de tensão. E longa demais para ser superficial. A minha não chega a um quarto de século, ainda. Há muito a aprender, e eu sei que não dá para perder oportunidades.
Tenho as minhas crenças. Acredito em Deus, sou quadrada para os padrões da minha geração, mantenho certas tradições que aprendi com a família e isso não me incomoda. Não mais, pelo menos. Não faço das minhas crenças e opiniões uma bandeira. (Acima dos alicerces, as convicções construídas podem ser alteradas conforme novas informações sejam apresentadas.). Sou feita de mais perguntas do que respostas. Faz tempo que aprendi a evitar militâncias. Me faz mal. Pessoalmente e profissionalmente. Quando descobri que posso aprender com qualquer um o céu se abriu. Fui largando a mania de rotular e identificar correntes de pensamento no que via. Abandonei diversos preconceitos. Ainda restam alguns, mas não tenho pressa. Já aprendi grandes lições com pessoas cujos comportamentos e posições eu desaprovo. Aprendi que não preciso evitar o diálogo com aqueles que considero censuráveis. Ninguém é monocromático.
Gente simples, gente arrogante, militantes, papagaios de pirata, adolescentes cheios de si, palpiteiros, almas rancorosas, estrelas, artistas, velhos transtornados, viciados arrependidos, obcessivos compulsivos... Todos têm algo a ensinar, ainda que não saibam. E não só porque ninguém é totalmente inútil e todo mundo serve pelo menos de mau exemplo. Mas porque ninguém é apenas os rótulos que veste de acordo com suas crenças e estilos de vida. Há sempre uma história. E histórias podem surpreender. Opiniões são tão somente opiniões...
Talvez por isso eu tenha escolhido essa profissão. Quando me descobri repórter, descobri que podia passar a vida encontrando histórias. Descobrindo pessoas por trás de cargos e posicionamentos políticos ou religiosos. Decidi trabalhar com o que há de bom em cada um. Com o que sobra quando se exclui o dispensável. Já há tanta maldade e mentira sob o sol. E cavando, sempre haverá mais.
Talvez seja uma atitude meio antropofágica, como diriam naqueles anos 20. Pode ser. Seja como for, sujeira e vilania por trás de boas intenções não me convencem a perder a fé no ser humano e na sua capacidade de aprender. Mesmo que com os erros dos outros, mesmo que com os próprios, ainda que no último suspiro, ainda que à custa de todo orgulho.
A teoria hipodérmica já não serve há décadas, então, eu não tenho medo. "Eu entendo as palavras".
Tantas vezes encontrei pedras preciosas no lodo sem precisar me sujar...
É só ver, e escutar.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Pensei no tempo e era tempo demais
Postado por Vanessa Reis às 04:10
Categorias: Não; não explico, Ordem na casinha, Sinais de bem; desejos vitais
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