Um grito bastaria para chamá-la. Ela estava disponível, como sempre. Como disse
que estaria, há quase uma década. Mas não. Poupá-la dos próprios e talvez pequenos (e bobos) problemas pareceu mais sensato. E a grande garota seguiu por um caminho perigoso e solitário. Afundou-se no terreno movediço de uma insegurança estúpida.
O isolamento talvez resolvesse, ela pensou. E seguiu acreditando que os amigos e a irmã não mereciam ouvir suas lamúrias. Oh, santa ingenuidade! Onde foi parar a voz estridente do coração daquela grande e corajosa garota? Os olhos brilhavam mais quando ela não tinha medo de sofrer e se jogava na vida sem economizar alma. Os telefones das irmãs respondiam às constantes chamadas quando ela ligava, quando a responsabilidade por sua felicidade não era um presente erroneamente colocado sobre o colo daquele menino. Doce, porém tão humano quanto ela. E ainda que ele fosse mais experiente e mais maduro! Jamais haverá cabimento nessa entrega.
Não se trata de fé, as irmãs lhe diriam. A mais velha viria com olhares piedosos e abraços reconfortantes acompanhados de palavras sábias. A caçula, transtornada com o retrocesso daquela que tanto lhe ensinara, evitaria a sensatez. Palavras rudes surgiriam, acusações sinceras, lembranças recentes e nenhum abraço. Sem panos quentes, sem soprar a ferida. A grande garota esqueceu-se da essência, da força e de tudo que ensinara sobre amizade. Esquecera-se também das relações entre verdade, fracasso, sucesso, família?
Um grito não bastaria para trazê-la de volta à realidade. E a irmã há muito já se ocupa da própria vida. Não dos próprios problemas. Ela os resolveu. Aprendeu que quando você precisa de uma mão que lhe ajude, pode encontrá-la no final do seu braço.
E para quando tudo está escuro e a agitação impede que a simplicidade dos fatos se materialize diante dos olhos, existem amigos; irmãos.
Acordar pra vida é uma escolha. Assim como viver ou ficar cogitando fatores que possam vir a atrapalhar os planos. Assim como intuir ou racionalizar. Tanto faz sucesso ou fracasso. A culpa será sempre sua.
sábado, 27 de setembro de 2008
Sinal de fumaça
Postado por Vanessa Reis às 22:32
Categorias: Doces ironias
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6 protesto(s):
lindo, tocantemente lindo.
beijos
Qualquer semelhança é mera coincidência?
Saudades suas...
Beijos
emocionante...
acordar pra vida e arcar com as consequancias...
bjos
A escolha sempre deveria ser acordar para a vida...
Somos sempre, eternamente responsáveis pelos nossos atos. Nossas escolhas estão imbuídas de significados e consequencias cujas quais dificilmente nos livraremos.
Estou de volta, finalmente! E agradeça a atualização ao fato de eu guardar textos "velhos" para publicação posterior.
E vamos a Sampa!!
:*
Sobre você
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Sabe qual é o seu problema? É que você é cruzeirense. Fora isso, mais nada. Rs. Abraço!
Sobre o texto
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Alter ego?
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